Category: Apneia


Como apneísta, e formador de mergulhadores livres, percebi em torno desses anos que me dedico ao esporte e ao mergulho, mesmo que contemplativo (essa é a forma de apnéia que acredito ser a mais fantástica), que 90% dos mergulhadores livres, principalmente os praticantes de caça-sub não usam, não conhecem e praticamente não se importam com regras de segurança, principalmente as que são diretamente ligadas a respiração e a ventilação pós e pré-mergulho. Assunto que irei tratar em breve para os irmãos L2D.

Mas praticamente todo mergulhador livre ao menos já ouviu falar de respiração para o mergulho, uns já ouviram da hiperventilação (extremamente perigosa) que erroneamente melhora a performance durante um mergulho, outras das ventilações abdominais, ventrais, pulmonares e por ai vai… até o famoso movimento de “carpa”.

E como praticante e principalmente amante do mergulho livre, procuro sempre me comunicar com atletas e simpatizantes do meio, a fim de perceber novos treinos, técnicas e tudo mais.
E trocando uma ideia informal com amigos, diante de um dueto de trompetistas e uma tenor de ópera, fiquei surpreso com o tempo que eles podiam deixar a caixa torácica expandida e respirar e ventilar muito rápido.

Mas o que isso tem a ver com mergulho e apnéia???

Tudo… CLARO… o princípio do treino de apnéia e a diferença entre os bons apneístas, é como eles suportam a parte “difícil” da apnéia, quando o corpo começa receber do cérebro respostas químicas, fisiológicas e mentais , sobre a necessidade de uma respiração. Ou seja, o controle das contrações abdominais, a força do diafragma, a pressão da caixa torácica cheia e etc., todos derivados de uma boa respiração e ventilação, controle corporal e mental.

Então me começaram os “porquês” e para “que”, outras atividades usam da apnéia, da força cinética e das técnicas de respiração e ventilação para serem executadas.
Consequentemente fui atrás de músicos de instrumentos de sopro, tenores e cantores líricos e realmente fiquei surpreso.

O Diafragma e a Respiração Diafragmática
No mecanismo respiratório, o músculo que separa o tórax do abdômen desempenha papel relevantíssimo. Se você deitar de barriga para cima poderá observar como o abdômen sobe e desce ao ritmo respiratório. O diafragma funciona como uma membrana. Quando desce, intumescendo o abdômen, arrasta consigo a base do pulmão, aumentando o volume interno deste, o que produz a sucção do ar. Isto é a inspiração. Na expiração, dá-se exatamente o contrário; o diafragma, levantando-se, comprime os pulmões, expulsando o ar. Este mecanismo, tão bonito e tão sadio, com a vida sedentária, vai-se perturbando, até quase desaparecer na maioria das pessoas maduras. É como se o diafragma morresse aos pouquinhos. Resta no fim tão somente a respiração com a parte superior dos pulmões. Mesmo entre atletas tal fato acontece.

Quando querem respirar fundo para voltar à calma, levantam os braços, comprimem e intumescem de ar somente o terço superior do órgão. Fazem exatamente o oposto do que o Yoga ensina e que é a forma ideal de respirar. O atleta ocidental inspira estufando o peito e encolhendo a barriga. O yoga inspira projetando discretamente a barriga, puxando para baixo o diafragma, enchendo, assim, não somente o ápice, mas também e, mesmo antes, a base do pulmão, que é a zona mais rica em alvéolos, portanto a mais importante para a economia vital.

A morte do diafragma paralisa a movimentação da parede abdominal. Esta, por falta de exercícios, definha, não podendo mais sustentar em seus devidos lugares as vísceras, que se dilatam e caem sob a solicitação da gravidade. E a velhice muito cedo chega, com a gordura que se acumula na barriga. A visceroptose, este deslocamento das vísceras, é corrigida mediante a respiração diafragmática que você vai aprender daqui a pouco.

A respiração ocidental nega ao organismo um tesouro de benefícios decorrentes da massagem automática e natural que a respiração diafragmática promove nos órgãos internos e nas glândulas, que, do ponto de vista quantitativo, trabalhando apenas com um terço do pulmão, reduz proporcionalmente a “capacidade vital”.

A respiração diafragmática tem sido utilizada no tratamento de moléstias cardíacas. Ela massageia com brandura e naturalidade o coração. O professor Tirala, de Wiesbaden, é o pioneiro neste tratamento. No restabelecimento do presidente Eisenhower a respiração teve papel significativo.

Massagem igual a que recebe o coração todas as vísceras recebem. No caso dos intestinos, ela é particularmente benéfica, curando a prisão de ventre, contribuindo assim para livrar o organismo das massas putrefatas.

Rejuvenescimento progressivo é outro dividendo que seguramente se recolhe. A respiração abdominal também é utilizada como elemento principal em regimes de emagrecimento. Atuando diretamente nas causas da obesidade, é o mais definitivo e sadio método de emagrecimento.

Depois de tudo isto saber, o leitor pode estar ansioso pelo “mapa da mina”, isto é, a técnica da respiração diafragmática. Vamos a ela.

Antes de qualquer outra coisa, faz-se imprescindível restaurar os movimentos naturais do diafragma, perdidos em massas de gordura, sufocados por cinturões apertados, esmagado por vísceras crescidas. Sem este exercício preliminar, nada pode ser obtido e nada deve ser tentado.

A) Ativação do diafragma
Trata-se de exercício puramente mecânico. Nele ainda não nos preocupamos propriamente com a respiração. Sentado ou em pé, tendo previamente esvaziado os pulmões, movimente a barriga para diante e para trás sob a ação do diafragma. Desde este primeiro exercício você deve habituar-se a manter sua atenção no que esta fazendo.
Comece com um minuto no primeiro dia e vá acrescentando um nos dias subsequentes até atingir cinco. Não use de violência, pois poderá sentir alguma dor, a qual deverá passar com o repouso. Evite a prática se o estômago estiver cheio.
Para maior facilidade, de pé, incline o tronco um pouco para frente, apoiando as mãos nas coxas um pouco acima dos joelhos.

B) Limpeza do pulmão
O pulmão é como uma esponja que se deve embeber, não de água, como a esponja comum, mas de ar. A cada inspiração se enche de ar que depois será lançado fora quando os músculos respiratórios se relaxem na expiração. Comumente, tanto a inspiração como a expiração não são feitas com todo o pulmão, mas apenas com um terço, assim a esponja só funciona numa sua terça parte. Que acontece com o restante?
Uma coisa bem nociva: boa quantidade de ar fica estagnada, sem renovação, sujeita, portanto a deteriorar-se e deteriorar o próprio pulmão e, portanto, toda a saúde.
Precisamos, portanto, aprender esta prática higiênica tão pouco conhecida e tão útil: a de expulsar do pulmão o ar residual e fermentado. Aprendemos a espremer ao máximo a esponja.
Suponhamos que você já aprendeu a movimentar o diafragma. Expulse todo o ar, ajude com uma pequena tosse e complete puxando aquele músculo para cima e comprimindo a musculatura abdominal, o que será conseguido com o encolher ao máximo o abdômen como que desejando encostar o umbigo às costas. É prudente lembrar novamente, que isso não deve ser feito de estômago cheio.

C) Exercício de respiração diafragmática
Tendo readquirido a natural movimentação diafragmática, feita no exercício anterior, puramente mecânico, temos agora que associar o movimento da respiração, coisa que, à primeira vista, parece fácil, mas que não é, devido a uns tantos desnaturados automatismos respiratórios adquiridos, bem como pela interferência perturbadora de certos estados psicológicos.

Deite-se de costas, em superfície dura (no assoalho forrado), encolha as pernas, conservando os joelhos altos e juntos, mas os pés afastados. Descanse a mão sobre o abdômen, afrouxando todos os músculos. Proceda à limpeza do pulmão. Assim, o abdômen deve estar retraído ao máximo e assim o conserve até que se sinta “impulsionado” a inspirar, quando então o abdômen tende a expandir-se.

Agora então, solte-o e deixe o ar entrar. Concomitantemente, o abdômen se eleva, arrastando o diafragma, que por sua vez puxa a base do pulmão, e dessa forma o ar que entrou pelas narinas vem encher este órgão. Para a exalação, novamente o abdômen se abaixa, suspendendo o diafragma, enquanto para fora vai o ar.

“Durante o processo, o abdômen é o único que se movimenta, já que o peito permanece praticamente imóvel”. Mas, este movimento do abdômen, repetimos, quando se consegue fazer corretamente o exercício, não é a própria pessoa (eu consciente) quem dirige e aciona. É obra exclusiva do diafragma (mente instintiva), o qual o praticante deve limitar-se a seguir com atenção em sua natural, livre e espontânea movimentação.

“Em realidade, não é a pessoa quem faz o exercício respiratório, mas é a própria vida que nele respira, limitando-se a pessoa a permitir, observar e seguir com atenção o processo natural de respirar que em seu interior tem lugar.” (A. Blay, “Hatha Yoga”; Editorial Ibérica, s.a.; Barcelona.)

Esse exercício pode ser realizado sem restrições. Qualquer pessoa sadia ou enferma, jovem ou idosa, pode praticá-lo e na dosagem que desejar. Para os melhores resultados, deve o praticante observar que:

a) Às narinas não cabe puxar o ar. Se há alguma solicitação do ar, esta cabe àquela área posterior ao nariz e anterior à faringe, lugar aproximado da glândula pituitária. O nariz é a entrada natural do ar, pois está aparelhado para filtrá-lo, purificá-lo e aquecê-lo. A respiração pela boca, só em raros exercícios. Mas no exercício presente o nariz serve de passagem tão-somente. À sua passagem, o ar fresco estimula e esfria a mucosa e ao ser expelido vem aquecê-la.

b) A respiração é calmíssima. Uma pessoa profundamente adormecida dá-nos uma ideia daquilo que devemos realizar.

c) Depois de certo progresso na técnica, as pernas podem ficar estendidas, e não mais flexionadas, aproximando-se daquilo que se denomina relaxamento completo, objeto de estudos adiante feitos.

d) Sua atenção alerta e ininterrupta deve acompanhar a suave e profunda ondulação do ventre, o entrar e sair do alento. Dizemos alento e não ar atmosférico, pois, a partir daqui, cada vez que inspirarmos (puraka) devemos mentalizar o prâna, que é vida, paz, saúde, energia, alegria, enfim, tudo de que precisamos para sermos felizes.

e) Bem, dissemos que a atenção deve acompanhar, pois o praticante somente experimentará as sensações de descanso, liberdade, espontaneidade, leveza, alegria e paz se abandonar a vida que nele penetra, sem interferir voluntariamente no processo. Deve deixar que a respiração, vinda do plano profundo do eu, chegue à superfície e se harmonize no plano consciente.

f) Esta prática lhe será proveitosa:

1) no relaxamento; 2) ao deitar-se para dormir; 3) nos momentos de tensões e conflitos emocionais; 4) quando se sentir mentalmente cansado; 5) na fase preparatória de qualquer trabalho intelectual.

g) As pessoas que se acham presas à cama podem e devem praticar a respiração abdominal. Isto só lhes prestará benefícios.

h) O êxito depende da correta posição do corpo, do relaxamento e da atitude mental.

Efeitos psicológicos: Tranquilização de crises emocionais; correção da habitual divagação mental; sensação de vivência deliciosa e profunda. Cura de insônias.

Efeitos fisiológicos: repouso geral, especialmente para os sistemas nervosos cerebrospinais e vago-simpáticos; perfeita irrigação sanguínea; regularização de todas as funções vegetativas, com a mais profunda pranificação do corpo sutil.

Respiração circular (uma grande diferença)

Respiração circular é uma técnica utilizada em música que consiste em simular uma respiração constante, reinspirando o ar expelido durante a expiração. Ela é empregada com instrumentos de sopro, especialmente o australiano didgeridoo, para fazer prolongar a nota emitida ou para permitir uma execução contínua, sem a necessidade de pausas estratégicas para respirar. Essa técnica vem sendo amplamente difundida devido ao fato de que, com ela, pode-se executar uma nota longa que se estenda por vários compassos ou até mesmo executar músicas em que não há pausas para se respirar como O moto perpétuo de Paganini. Além disso, é muito útil na execução de uma frase musical longa na qual o músico tem uma queda de fôlego antes de chegar a seu final.

O autêntico didgerido de origem australiana é construído da forma tradicional por comunidades do norte da Austrália ou por pessoas que viajam para a Austrália central em busca da matéria-prima.

Para a construção desses instrumentos são usados troncos duros, especialmente de eucaliptos, árvore abundante naquela região. Às vezes são usadas espécies nativas de bambu. Em geral corta-se o tronco inteiro, mas um galho sendo considerado forte o bastante pode ser usado no lugar do tronco completo. Os artesãos aborígenes que constroem o didgeridoo também aproveitam troncos que foram esburacados por cupins.

Quando encontram uma árvore aproveitável, selecionam o galho, retiram a casca, adornam as extremidades e o instrumento ganha forma. Nesse ponto o didgeridoos recém-construído pode ser pintado e pode-se acrescentar cera de abelha ao bocal do instrumento. Didgeridoos também são feitos a partir de tubos tipo PVC. Estes geralmente têm um diâmetro entre 4 e 5 cm e um comprimento que corresponde ao tom desejado. O bocal muitas vezes é feito da tradicional cera de abelha ou de fita adesiva.

Uma rolha de borracha furada e de um tamanho apropriado também pode servir de bocal.

Tocando o didjeridu

O didjeridu é tocado com a contínua vibração dos lábios para produzir o zumbido enquanto é usada uma técnica especial de respiração chamada respiração circular. Esta exige a respiração através do nariz enquanto que, ao mesmo tempo, a expiração deve ser feita pela boca usando a língua e as bochechas. Para um tocador experiente, a técnica da respiração circular permite que ele renove o ar de seus pulmões mantendo uma nota pelo tempo que o mesmo desejar.

Benefícios para a saúde

Em 2005, um estudo do British Medical Journal (Jornal Médico Britânico) descobriu que, aprender e praticar o Didgeridoo ajudou a reduzir o ronco e apnéia do sono, assim como o tempo necessário para o descanso. Isto parece funcionar devido ao fortalecimento dos músculos da via aérea superiora, diminuindo a tendência de distúrbio durante o sono.

Assim o praticante de mergulho livre, aprende a ter maior compreensão corporal, pois não existe como você aumentar a litragem de ar dos pulmões, nascemos e nos desenvolvemos conforme nosso crescimento, mas a respiração circular, as ventilações abdominais, ventrais, diafragmais, pulmonares, traqueais são as formas de poder usar realmente toda litragem de ar, a qual nosso corpo suporta, variando de pessoa para pessoa. Assim também aos métodos de relaxamento, responsáveis pelo domínio do mergulhador em cada descida.

Outro estudo, realizado no Brasil em 2008 por uma dupla de estudantes universitários da UAM, no curso de Naturologia, promoveu a comprovação de diversos efeitos terapêuticos do Didgeridoo. O foco principal era a redução da ansiedade, mas junto a isso se demonstrou também uma melhora na qualidade de vida, redução à vulnerabilidade ao estresse e melhora da respiração com indícios de combate ao tabagismo (indicado por fumantes que participaram do estudo).

Método

A técnica envolve a capacidade de tornar independentes os processos de respiração pelo nariz e de assopro pela boca. Na verdade, consiste em armazenar o restante de ar da respiração anterior nas bochechas. Enquanto se expira o ar das bochechas, aspira-se pelo nariz o ar da nova respiração, continuando-se então, a emitir o som. Ao final do ar aspirado, armazena-se o final do ar nas bochechas novamente e, enquanto expira-se o ar armazenado, aspira-se novamente pelas narinas. A técnica não deve ser aplicada durante muito tempo, pois pode ser prejudicial para a oxigenação do cérebro. A principal habilidade que é necessária para a aplicação dessa técnica é o domínio independente dos movimentos do diafragma do pulmão e da boca. Para a perfeita execução da técnica, é necessário que o músico consiga respirar pela boca, utilizando o ar que ali está armazenado, enquanto inspira pelo nariz sem que um interfira no outro.

Utilização na meditação

Além ser muito útil ao se tocar instrumentos de sopro, um ambiente místico envolve a técnica desde suas origens. Criada em músicas do folclore, a técnica também é utilizada em ritos de meditação, em que recebe, também, o nome de renascimento. A finalidade desse tipo de respiração é criar uma estabilidade tanto física quanto mental na pessoa que medita. Por esse motivo, a técnica tem sido adotada por músicos que não tocam instrumentos de sopro, com a finalidade de tornar sua execução mais simétrica quanto ao andamento e ao ritmo.

Apneístas competitivos do Egito usam diariamente as mesmas técnicas para controlar a expansão da caixa torácica, submetendo-se a infindáveis expirações completas, e posteriormente entrando em apnéia sem ar algum, tolerando o máximo de contrações e movimentos involuntários para a respiração.

De uma forma simplificada, pode ser enfatizado que os mecanismos acima citados interagem da seguinte forma: o controle involuntário e voluntário da respiração ativa os músculos respiratórios, os quais causam o movimento da caixa torácica e do abdômen, resultando num deslocamento do ar para dentro e para fora dos pulmões, possibilitando assim a ventilação alveolar.

O diafragma é o principal músculo da respiração, representando entre 50-70% da atividade muscular respiratória de um indivíduo e tendo de atuar 24 horas por dia de forma ininterrupta. Este músculo apresenta características funcionais diferenciadas dos demais músculos respiratórios, sobretudo pela sua resistência ao trabalho.

A boa mobilidade diafragmática (excursão e incursão) depende, sobretudo, da integridade funcional do tórax e do abdômen, e ainda de uma estratégia clínica de todos os seus componentes viscerais: pulmões, mediastino, coração, fígado, estômago, baço, pâncreas, rins e bexiga.
Com base na evidência de que o diafragma sofre a ação da gravidade, a completa fisiologia do sistema cardiopulmonar é dependente do posicionamento corporal para o seu funcionamento ideal. A ação da gravidade influencia os mecanismos básicos do sistema respiratório e é um fator determinante na distribuição da ventilação alveolar (Va) e da perfusão pulmonar (Q), além de serem amplamente descritos na literatura os seus benefícios na clearance mucociliar.

No entanto, apesar da importância clínica e terapêutica dessas evidências, muito pouco ainda tem sido descrito recentemente na literatura acerca das vantagens do adequado posicionamento corporal na melhoria das propriedades cinéticas dos músculos ventilatórios, em especial do comportamento diafragmático durante a respiração voluntária e no período em que o paciente permanece em ventilação mecânica mandatória controlada (CMV).

Ainda existe um grande problema no mundo do mergulho, quando se fala de respiração circular e respiração cíclica, pois parece que uma descreve um método e a segunda uma patologia em pessoas que tem deficiência cardíaca, o que as leva a uma respiração também chamada de Respiração de Cheyne-Stokes que é o padrão respiratório que se caracteriza pela redução da sensibilidade do centro respiratório à pCO2 arterial.
Faço-me lembrar por fim a todos os praticantes de mergulho livre, desde os que desfrutarem de um snorkeling em águas rasas ou semiprofundas, como todos aqueles que pretendem ou fazem suas decidas, que sempre será necessário um apoio vital, um dupla, bom conhecimento da área do ponto de mergulho, conhecer e dominar técnicas de respiração, ventilação, natação, EFR, sinalização, comunicação, etc.

Enfim procure um especialista, um instrutor, um divulgador de boas ideias e maneiras sobre o mergulho livre desconsidere que todo mergulhador livre é um caçador desalmado, isso é um erro comum, prejudicando toda comunidade do mergulho livre, infelizmente mergulhadores autônomos e livres fazem coisas erradas que afetam a todos nós, assim como pescadores puxam suas redes em quase 96% dos casos sem discrepância alguma de espécies e tamanhos (outro assunto do mar em breve…).

Aos meus amigos e irmãos do mar e visitantes do L2D o meu muito obrigado. E contem sempre comigo.

“(…) Nenhum homem realmente se conhece por inteiro, se não permitir-se perder-se na imensidão do mar.”
Ricardo Branco (Free Diver*)

Referências
1. Albert, RK, Leasa, D, Sanderson, M, Robertson, HT, Hlastala, MP (1987) The prone position improves arterial oxygenation and reduced shunt in oleic-acid-induced acute lung injury. American Review of Respiratory Diseases 138: 828–833
2. Azeredo, CAC (2002) Fisioterapia Respiratória Moderna: 4ª Edição – ampliada e Revisada. Manole Editora, São Paulo
3. Bittner, E, Chendrasekhar, A, Pillai, S (1996) Changes in oxygenation and compliance as related to body position in acute lung injury. American Journal of Surgery 62: 1038–1041
4. Blomqvist, CG, Stone, HL (1983) Cardiovascular adjustments to gravitational stress. In: Shepherd JT, Abboud FM (eds) Handbook of physiology. Section 2: circulation, vol 2. American Physiological Society, Bethesda, pp 1025–1063
5. Cassart, M, Pettiaux, N, Gevenois, PA, et al (1997) Effect of chronic hyperinflation on diaphragm length and surface area. Am J Respir Crit Care Med 156,504-508
6. Chatte, G, Sab, J-M, Dubois, J-M (1997) Prone position in mechanically ventilated patients with severe acute respiratory failure. American Journal of Critical Care Medicine 155: 473–478
7. Chuley, M, Brown, J, Summer, W (1982) Effect of postoperative immobilization after coronary artery bypass surgery. Critical Care Medicine 10: 176–178
8. Clauss, RH, Scalabrini, BY, Ray, RF, Reed GE (1968) Effects of changing body position upon improved ventilation– perfusion relationships. Circulation 37(suppl 2): 214–217
9. Cooper, S, Eccles, JC (1930) The isometric responses of mammalian muscles J Physiol (Lond) 69,377-384
10. Craig, DB, Wahba, WM, Don, HF (1971) ‘Closing volume’ and its relationship to gas exchange in seated and supine positions. Journal of Applied Physiology 31: 717–721

Esse artigo foi publicado originalmente no fórum da Live2Dive,  por Ricardo Branco

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Freediving (Apneia)

A Apneia é tão antiga quanto a humanidade em si. Mais que qualquer outro esporte, a apneia é baseada nos reflexos subconscientes escritos no genoma humano.

Nos primeiros 9 meses de suas vidas, os humanos vivem num ambiente aquático muito similar ao mar. Se um bebê for submergido na água, ele irá, instantaneamente, prender a respiração por cerca de 40 segundos enquanto nada peito (breast stroke), todavia nós perdemos essa habilidade quando aprendemos a andar. Acordar esses reflexos é um dos mais importantes elementos da apneia, dessa maneira gerando melhores habilidades humanas para estar protegido a grandes profundidades.

A palavra Apneia deriva da palavra grega “a-pnoia” que significa literalmente “sem respiração”. A origem dessa palavra não tem conexão com a água, mas na terminologia atlética moderna “apnea” virou sinônimo de “freediving” (mergulho livre, apneia), mergulhar com uma respiração, sem usar qualquer equipamento que possibilite respirar embaixo d’água.

Após muitos nomes que criaram a história da apneia, no final do século XX, foi criada a “Association Internationale pour le Développement de l’Apnée” (AIDA). Segundo a AIDA, existem oito categorias dentro da apneia:

Apneia Estática

O apneista prende a respiração e mantém o corpo imóvel, debaixo d’água ou na superfície. A apneia estática é a única em que se mede o tempo em que o mergulhador fica sem respirar, e pode ser realizada em piscina, lago, rio, mar, etc.

Apneia Dinâmica sem Nadadeiras

O apneista atravessa em posição horizontal tentando cobrir a maior distância possível. Qualquer auxílio de propulsão é proibido. Dinâmica sem nadadeiras é o mais natural das duas disciplinas que medem distância horizontal, por não necessitar de nenhum material de propulsão, mas uma técnica muito boa.

Apneia Dinâmica com Nadadeiras

Também percorre a piscina em posição horizontal tentando alcançar a maior distância. Não é permitido o uso de nenhum material, exceto nadadeiras.

Imersão Livre

O apneista mergulha sem uso de equipamento, usando somente o cabo durante a descida e a subida. Imersão livre é a disciplina esportiva de profundidade com mais puras sensações, por ter apenas as puxadas no cabo como método de propulsão.

Peso Constante sem Nadadeiras

O apneista desce e sobe usando apenas a força de seus músculos, sem o uso de equipamentos de propulsão e sem puxar o cabo. Peso constante sem nadadeiras é a mais difícil disciplina esportiva de profundidade, por não usar absolutamente nenhum equipamento pra descer na água. Essa categoria precisa de uma perfeita coordenação entre movimentos de propulsão, equalização, técnica e flutuabilidade.

Peso Constante

O apneista desce e sobe usando suas nadadeiras (ou monofins). Tem de mergulhar na profundidade seguindo uma linha guia que ele ou ela não está autorizada a usar ativamente durante o mergulho, somente uma vez, ao cessar a descida e rumar para a superfície. O atleta carrega um lastro na descida e na subida (peso constante).

Peso Variável

O apneista desce com ajuda de um lastro e sobe usando sua própria força: braços, pernas, e usando o cabo, ou não.

Sem Limite (No Limit)

O apneista desce usando um lastro e sobe usando o método de sua preferência. Sem limite é a disciplina de profundidade absoluta, alcançando as maiores profundidades. A maioria dos mergulhadores usam um trenó pesado para mergulhar e utilizam um saco cheio de ar para retornar à superfície.

Confiram alguns vídeos:

O Austríaco Herbert Nitsch batendo o recorde de 214m de profundidade na categoria Sem Limite. É também o recordista mundial em duas outras categorias: peso constante e peso variável.

Guillaume Nery batendo o recorde mundial com 113m de profundidade na categoria Peso Constante. Atualmente o recorde é de Herbert Nitsch (124m).

Video fictício produzido por Guillaume Nery e Julie Gautier chamado Free Fall. Bela produção.

Foto: Freedive Central

Parte do texto foi retirado e traduzido do site oficial da AIDA

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